Mudando um pouco de assunto

Faz tempo que não posto nada.. e quando volto, não é pra falar da minha cozinha…

A verdade é que minha cozinha anda bem devagar… não tenho tido muita criatividade e quase nada do que faço é digno de posts aqui (sim, sou muito perfeccionista).

Mas alguns assuntos tem me feito pensar ultimamente, principalmente sobre a vida aqui na Alemanha e algumas diferenças cruciais com o Brasil.

Desde que nos mudamos pra cá, eu não dirijo. No início não tínhamos carro, minha permissão para dirigir com minha carteira brasileira “venceu” depois de 6 meses aqui, compramos um carro, e eu ainda não terminei o processo de tirar minha carteira de motorista alemã. Então, acabei cedendo a ela… a tão atualmente discutida em São Paulo.. a Bicicleta 😀

No início eu usava a bicicleta apenas para ir ao mercado. Depois, meu filho mudou para uma escola mais longe, e eu passei a usa-la diariamente. Mas não só para levá-lo para a escola, como também para, basicamente tudo… sim, ela se tornou meu principal meio de transporte.

Hamburgo é uma cidade verde. Existe um plano de um dos partidos políticos daqui, de acabar totalmente com os carros até 2020 (se não me engano). Os ônibus que passam aqui perto de casa são híbridos (os primeiros da linha verde da cidade), a rede de metrô e trens é bem legal (mas não se compara a outras cidades européias), os metrôs e trens são pontualíssimos, os ônibus nem tanto… e as ciclovias.. elas existem! Elas não são perfeitas, elas não estão em 100% da cidade, mas elas servem muito bem àqueles que escolheram a bicicleta como meio de transporte.

E a melhor parte de andar de bicicleta em Hamburgo, não é o fato de haver ciclovias, nem muito menos de eu precisar de capa de chuva pra mim, pro meu filho, pra cadeirinha, etc na maior parte do ano (rs). Mas sim o fato de que eu me sinto SEGURA andando de bicicleta aqui. Em muitos dos caminhos que eu faço de bicicleta, eu preciso competir com os carros. Hamburgo é ainda, a segunda maior cidade da Alemanha. Existem MUITOS carros, as pessoas andam de carro, e em muitas das vias, os ciclistas precisam andar pelas mesmas vias que os carros. Em algumas a ciclovia é apenas uma faixa pintada na lateral da rua, em outras é a mesma faixa na calçada (competindo pelo espaço com os pedestres), em muitas outras fica tão grudada com o local onde é permitido estacionar, que os carros, muitas vezes não deixam nenhum espaço para as bicicletas passarem. Mas eu me sinto segura porque me sinto respeitada. Eu ando de bicicleta com meu filho de 3 anos na garupa, no meio dos carros, e não tenho medo de ser atropelada, molhada, amendontrada ou “ironizada” pelos motoristas dos carros. Não só os motoristas param na faixa de pedestres/ciclovias para que pedestres e ciclistas possam passar, mas eles também respeitam a regra de dar espaço ao passar ao lado de um ciclista na rua. Esta atitude vem das pessoas.

Agora, eu preciso dizer, de forma nenhuma meu post tem como objetivo reclamar da política de bicicletas de Hamburgo. Nem muito menos de dizer que a Alemanha é melhor do que o Brasil, ou o Alemão melhor que o Brasileiro. Eu quero apenas dizer que é possível utilizar a bicicleta como meio de transporte, mesmo com um sistema de ciclovias falho, mesmo quando o espaço tem que ser utilizado por todos, desde que haja a democratização deste espaço e principalmente o respeito mútuo das pessoas que o utilizam.

Aqui também tem gente que não respeita, tá? Como em qualquer lugar no mundo, aqui também tem gente que estaciona o carro em cima da ciclovia, quando tem obra no metrô a ciclovia é a primeira a ser apagada pelos materiais de construção e as cercas e cones, etc… também tem muito pedestre que anda por cima da ciclovia e ignora os sininhos dos ciclistas querendo passar (e eu já quase atropelei alguns). Paraíso não existe! Mas a grande maioria das pessoas respeita o direito de ir e vir umas das outras.

Minha intenção era de postar fotos de algumas coisas que chegam a ser engraçadas, mas não dava pra ir todos estes lugares só pra tirar fotos… aqui também as ciclovias terminam “do nada”.. o que quer dizer apenas “a partir de agora você precisa andar na mesma rua que os carros”, aqui também tem raiz de árvore levantando a ciclovia…. o que normalmente quer dizer que a natureza não pára e não aceita barreiras criadas pelo homem… Aqui também tem pintura de ciclovia tão gasta na rua que mal dá pra ver que ainda é ciclovia… o que apenas quer dizer que o tempo desgasta e que o homem precisa fazer manutenção.

O que eu não vejo aqui é gente destilando ódio contra quem quer ter o direito de usar sua bibicleta como meio de transporte, e nem contra quem está tentando tornar esta condição possível. Não vejo gente com medo de andar de bicicleta. Nem ninguém ridicularizando a cidade pelas falhas que o sistema tem.

Bom, é isso gente… logo eu volto com mais receitas 😉

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Primeiro Post – da adaptação

A começar pelo tempo que levei tentanto escrever o título deste post em português e com a acentuação correta… a adaptação de uma brasileira na Alemanha realmente não é fácil.

Como boa virginiana com 6 planetas em Libra que sou, é claro que vou voltar aqui usando outro computador assim que possível e corrigir este texto! O teclado do computador que estou usando é alemão e então os caracteres üöä estão  todos facilmente acessíveis, mas a minha querida cedilha, o ~ em cima do A e do O já não são tão simples…

Essa realidade se extende a muitos itens do dia-a-dia de uma estrangeira vivendo no exterior, principalmente se ela nao é fluente na língua, tem um filho pequeno e faz questão que a familia se alimente bem.

Neste 1 ano que já estamos aqui, já tive que adaptar muita coisa… Desde a sobreviver, por 3 meses, em um quarto e sala com um frigobar, um fogão de duas e bocas e nenhum forno, até a me comunicar em meu alemão macarrônico com as professoras do meu filho na escolinha e levar papel alumínio quando na verdade o bilhete dizia que eles precisavam de papel para plastificar… Essa semana eu consegui descobrir o que era e como se chamava a Maizena aqui… O mercado onde costumo fazer compras não tem nem farinha de trigo (pelo menos eu ainda não encontrei lá) e eu usei farinha de espelta por uns bons meses até descobrir que espelta e trigo não eram a mesma coisa…download 

 Foi por isso que decidi começar este Blog. Todos os dias eu adapto alguma coisinha na minha cozinha… as vezes não dá certo, mas na maioria das vezes dá super certo e eu acabo mudando meu jeito de ver e de fazer as coisas pra sempre, e eu acho que nao dá pra guardar estas descobertas só pra mim.

Entao é isso. Meu objetivo é ir postando diariamente as minhas tentativas, experiências e aprendizados na cozinha (e porque não talvez também em casa?) e desta forma também me dedicar a algo que eu goste enquanto minha vida se resume a casa e filho. 

Puxe uma cadeira, fique à vontade, sinta-se em casa 🙂